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Lino Villaventura
Ilha da Fantasia
No mundo de Lino Villaventura o que não falta é uma boa festa. O estilista, que completa 30 anos de carreira nesta temporada, continua investindo no que fez a sua fama: vestidos extremamente elaborados, com riqueza de detalhes e requinte de alta-costura.
Homenageando mulheres completamente distintas – de Carmem Miranda à Madame Pompadour, trinta foram as escolhidas – Lino abusou de longos de seda e tule plissado, bordados a máquina e rebordados manualmente com cristais Swarovski (minimalismo definitivamente não é uma palavra que entre em seu vocabulário).
Os toques orientais também apareceram em formas ajustadas e golas típicas, assim como a exuberância da natureza, mostrada em ícones da beleza, como o pavão e a borboleta. Nos pés, sapatos pesados e amarrados com telas de cetim; e nas cabeças, mais tule com fios de cobre, em pseudochapéus. É uma moda show, daquelas que muitas vezes não sai da passarela, mas que é bonita de se ver.
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Raia de Goeye
Essência Pura
A coleção de inverno da Raia de Goeye não tem um tema definido. Partiu de vontades das estilistas Fernanda de Goeye e Paula Raia que, grávida do segundo filho, optou por fazer uma apresentação pequena, para pouquíssimos convidados, na própria loja da dupla.
As referências eram díspares: a imagem de um esquimó, a tradicional poltrona inglesa Chesterfield, caçadores, luzes medievais. Mas o resultado funcionou – e muito. Todos os elementos característicos da marca estavam lá: as calças com bolsos grandes e cavalos mais baixos, as enormes fendas laterais nos vestidos longos, o comprimento míni, as golas máxi, as tachas no couro.
Era Raia de Goeye em sua melhor essência, renovada por lindas cores, como a “lipstick”, uma tonalidade entre o laranja e o coral, e o petróleo. Tem tudo para agradar em cheio as consumidoras e deixar em breve as araras da loja, esvaziadas especialmente para o desfile, novamente vazias.
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Cavalera
Moda Mensagem
O desfile transcorreu em silêncio. Uma sirene avisou que era hora de começar. Os modelos desceram para a margem do rio Tietê, ali onde bóia o lixo e corre ratos e baratas. O ambiente, desnecessário dizer, era feio. Desolador até.
A roupa, ao contrário, estava linda. O time da Cavalera revirou os próprios baús. Pescou tecidos antigos, xadrezes e listrados, entre outros, e transformou em vestidos longos inspirados em camisas masculinas. Na verdade, pareciam feitos de um mosaico de camisas. E eram lindos. As estampas meio românticas, com perfume vintage, fizeram um ótimo casamento com as outras, de padronagem masculina.
A cartela de cores fez com que ora as roupas – em tons terrosos – se camuflassem à paisagem, ora saltassem aos olhos graças à gama de azuis e verdes. Os modelos perambulavam. A sirene tocou de novo. Os estilistas mereceram cada aplauso caloroso que receberam.
Erika Ikezili
Gueixa Tropical
Ligadérrima na sua origem da terra do Sol Nascente, Erika Ikezili elegeu a história da primeira japonesa nascida no Brasil como “desculpa” para desconstruir o quimono em peças mil (saia, blusa, casaco) e tropicalizar tudo. Sua marca registrada – o origami, que constrói volumes nas peças – desta vez foi desbancado por uma novidade tecnológica: o tecido ‘persiana', que já vem plissé de fábrica – “um alívio ter a prega pronta”, disse a estilista nos bastidores minutos antes de o desfile começar.
Vestidos, boleros, bermudas levaram tecidos diversos, entre eles tafetá, tule de malha, tricoline com elastano, renda, arrematados por tiras de jacquard dourado e passamanaria. Tudo misturado num patchwork excessivo de texturas e estampas, que acaba por esconder o trabalho de modelagem que pode ser uma das forças dessa estilista.
Melhor mesmo são as calças de alfaiataria, de cintura baixa, botões dourados e bolso faca – uma alternativa em preto ou bege para quem não quer embarcar nas calças setentonas que vem por aí. |