Fashion Drops
19ª Casa de Criadores - Inverno 2006


by Deoclys Bezerra

Primeiro Dia


O evento teve início em pleno domingo de sol no Anhangabaú em São Paulo , com duas performances: a dupla Raphael Volk e Augusto Coutinho, que apresentaram moda masculina, com paletós assimétricos e calças justas. A seguir, Deoclys Bezerra apresentou seis peças com volumes obtidos de godês em vestido, blusas e saias. Tudo em preto e com inserções de floral miúdo em fundo verde.

A seguir, o projeto Lab, que trouxe muita gente nova e deixou a desejar. Salvaram-se alguns deles como Ivã Ribeiro, que mostrou interessantes peças como a saia em risca-de-giz marrom, com a barra em babados plissados em V, o vestido em babados horizontais e degradée de cores. Karina Maltez foi outra, com sua blusa prata, decote em V e shortinho envelope. Raquel Gaeta com o mix de tricô/tecido tem ainda um longo caminho a percorrer. Humberto Guaracy teve boas idéias como os mecanismos de relógio à guisa de bordados, e execução acima da média. E, por fim, Paula Bertone e Mário Catto que estamparam mandalas em dourado, aplicando-as em vestidos e camisetas.

A Puma, pela primeira vez no evento, investiu em roupa esportiva com apelo mais urbano. Ponto para os calçados maravilhosos, que iam de sapatilhas sofisticadas a tênis para golfe. Todos coloridíssimos e atraentes. Impossível vê-los sem querê-los...



by Walério Araujo

Segundo Dia


Os melhores foram, sem sombra de dúvida Ivan Aguilar e Walério Araújo. O primeiro com uma moda masculina muito bem feita e original. Ponto para os casacos em matelassée, com estampa estilizada de caracol. As calças eram justas os paletós, casacos e jaquetas, folgados no corpo e bem coloridos. Tudo absolutamente usável, exceto a bota “pequeno príncipe”, acima dos joelhos, mais para efeito de passarela.

Walério trouxe mulheres poderosas, que me remeteram ao universo de Will Eisner, com o exagero de decotes e saias ultra justas ou ainda com amplidão, tipo anos 50. Veludo, malha, xantungue e lurex em cores como o vinho, turquesa, roxo e, no final looks absurdamente prateados, glamurosos. Tudo bem... Walério!

Weider Silveiro fez flores vazadas, bordadas em cores mais desmaiadas, suaves. No entanto o excesso de babados, que debruavam, formavam mangas e acabamentos deixou um quê de saturação.

Rober Dognani, tirando a segunda entrada, com um vestido estilo robe, de tafetá, com babados balonées (interessante), pecou nos volumes excessivos e na “experimentação”, com ares de época Moderna.

Gustavo Silvestre veio inspirado (como muita gente, há muito tempo) nos anos 80. Assim, decotes ombro a ombro, calças justas de cintura alta e efeitos blusês foram recorrentes. No entanto, a estampa de folhas delicadas, sobre tecidos variados, inclusive nas listas, deu um ar novo ao todo.

by Fabiana Bauman

Terceiro dia

A noite começou com Fabiana Bauman que trabalhou muito bem a cartela de cores com verde petróleo, beges, rosas e azul claro. Vestidos, minissaias, calças retas e paletós ajustados. Interessante o jogo de estampa sendo desconstruído e reconstruído em bordados. Lindo o vestido azul claro, com galões cruzados na vertical e horizontal, assim como o paletó de veludo com vivos contrastantes.

João Pimenta trouxe uma coleção que mesclou o street esportivo com pitadas de estilo vitoriano. Lindas as estampas, no mesmo tom dos tecidos. Lindo o vestido cinza chumbo, trespassado, com saia godê, assim como a saia ampla e casaco vermelho que o acompanhava.

Tiago Marcon inspirou-se novamente nos personagens de Maurício de Souza, desta vez a universitária Tina e seu amigo Rolo. Este último, por sinal, apareceu formando lindas estampas que nos remetiam à mandalas, espalhadas por xadrezes diversos. Aqui e ali belos resquícios dos anos 60 e 70 principalmente nos casacos estilo trench-coat, já apresentados na última coleção.

Paulo Carvas veio com moda masculina em que predominaram as peças confortáveis. O estilista abusou das calças com cavalo bem amplo, que lembravam sarouel. Linda a estampa bordada floral, em fundo cru que serviu de suporte a paletó e bermuda. Aqui e ali, uma mão espalmada, de tinta colorida como estampa.

Marcelu Ferraz perdeu-se um pouco nas mulheres poderosas, com bastante efeito cênico. Em certos momentos os vestidos longos nos remetiam ao trabalho de outros estilistas. Bonito o bolero todo bordado de paetês usado sobre maiô preto.

As Gêmeas apostaram novamente nos anos 80, com mangas morcego e calças mais ajustadas, com pregas nos joelhos (bonitas!). Linda a blusa estilo quimono debruada de paetê, assim como os mini vestidos com super decotes, também debruados por bordados de lantejoulas.

by P´tit
by Coletivo
Quarto e último dia
P´Tit apresentou uma coleção com inspiração vitoriana, composta por saias, vestidos leves e fluídos. Interessante a blusa com as costas de faixas cruzadas, assim como o paletó ajustado, com três babados arredondados. No final, um saco de veludo marrom contendo uma modelo dentro foi desembrulhado transformando-se num vestido rosa, bem amplo, com babados atrás.

Madalena combinou estampas com maestria, em lindas cores, azuis, vinhos e marrons, quebrados de vez em quando pela interferência de uma amarelo vivo, em vestidos, saias, calças e shortinhos. Mangas amplas, às vezes bufantes fizeram belo efeito. Lindo o cardigã curto, estilo bolero, arredondado e com um único botão. Tudo com ares de anos 70, muito bem trabalhado.

Camila Zoldan trouxe black jeans com lavagens desgastadas em calças justas e jaquetas. Nestas botões e adereços dourados se destacavam. A estilista mostrou malhas de lurex em cardigãs, vestido e blusas, misturou estampa floral com xadrez. Aqui e ali, um vestido de laise cinza e azul royal.

Coletivo apostou no xadrez e no vinil. As peças todas, vestidos e casacos tinham a parte de trás mais comprida e godê. Alguns shorts de cintura alta e macaquinhos vieram relembrando os anos 80. O grupo melhorou sua performance desde a última edição do evento. Mas há ainda (como quase todos os participantes) muito caminho a percorrer.

Laundry escolheu a sobriedade do preto e do branco, em silhuetas que remetiam aos anos 50, com vestidos de saia ampla e calças compridas mais justas. Blusas leves, tradicionais, como as de gola com laço ou ainda camisa usada sobre vestido tomara-que-caia, se mostraram interessantes. Chamou a atenção a estampa que parecia calcada em verniz sobre tafetá.

Moshe criou coleção que, se não trouxe nada de novo, nada ficou a dever no quesito cores, cortes, formas e acabamentos. Muito street com elementos esportivos, em peças confortáveis e atraentes. Aqui e ali uma pitada de ironia, bem colocada. Valeu.

A 19a Edição da Casa de Criadores aconteceu de 19 a 22 de março 2006
no Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo - SP.
Edição Valdir Franzisko Fotos: Divulgação Namidia Data: 24 Março 2006