Resgate no Deserto
O parto da Terra
O Chile está de parabéns pelo trabalho de resgate dos 33 mineiros,
iniciado na noite do dia 12 de outubro.
Presos há quase 70 dias, num cubículo de 50 metros quadrados a quase 700 metros abaixo da superfície do Deserto do Atacama eles resistiram e renasceram.
Apesar de todos os riscos da operação e da cobertura midiática, foi gratificante ver como a solidariedade, a cidadania e a fé, não importa em que Deus, fazem a diferença em momentos dramáticos e inesperados.
A frase comovente do comentarista Arnaldo Jabour sobre o episódio: "O parto da Terra", deveria inspirar as manchetes dos veículos de comunicação de todo o mundo que para o Chile enviaram um exército de jornalistas: Não há expressão mais feliz para resumir este acontecimento trágico e ao mesmo tempo, edificante.
É uma lição de quanto o homem é capaz de superar dificuldades quando posto à prova. Desde a engenhosa cápsula projetada pela Nasa para o resgate até a impressionante coragem e equilibrio emocional dos 33
homens soterrados, passando pela eficiência das equipes de socorro e pelo apoio do governo - em que pese o dividendo político - o fato é que o Chile mostrou grandeza ao resolver, sem interferência externa, seus problemas.
Problema este provocado por forças muito superiores ao controle humano. Foi a Natureza que devastou o País, no início do ano, ao submeto-le a um terrível terremoto. E quando o Chile ainda luta para retormar sua rotina, a terra reage de novo, desta vez em menor escala, mas não menos impetuosa e soterra alguns de seus filhos. Um dos mineiros, ao lembrar o drama de estar soterrado em meio a escuridão, declarou que sua salvação foi agarrar-se à luz da esperança. Esta angústia ele descreveu como uma luta entre Deus e o Diabo. Ao sair são e salvo comemorou: "Deus venceu!"
À luz da história, quem venceu foi o povo chileno.