Crônicas
Palavras pensadas
Balcão do Palácio Buckingham, 29 de abril: o famoso beijo

Decadência e elegância
por Marcia Mariano

Não sei se o mundo inteiro parou, como alardeou a mídia, para ver o “casamento do século”, outro exagero propagado à exaustão, entre o príncipe William e plebéia Kate, ou melhor, agora Sua Alteza Real, Duquesa de Cambridge, Catherine Middleton. Particularmente, o badalado enlace não mudou nada na minha vida e nem na sua. Mas, por uma ótica mais abrangente, acho que o casamento real teve uma importância simbólica, mais do que histórica, para a sociedade que vivemos hoje, cheia de violência, tragédia, miséria e guerras, muitas das quais com aval do "Império Britânico".

Espero que o jovem casal, depois da Lua de Mel merecida, tenha um papel importante e ativo a desempenhar, afinal, teoricamente são representantes da chamada Geração Y, a geração dos conectados, que despreza o passado, que adora inovação e mudanças rápidas, não é mesmo?

Espero que cultivem valores humanistas – aliás se formaram nesta área na famosa Universidade onde se conheceram; resgatando a capacidade do Ocidente de aceitar as diferenças, a defesa do meio ambiente, a favor de um Estado à serviço do povo, de uma ciência aliada ao desenvolvimento não só tecnológico, mas acima de tudo, social.

Não sou deslumbrada com a realeza britânica e tão pouco adepta de Monarquia, mas também não faço coro com os brasileiros mal-humorados e despeitados que encheram as páginas da internet com comentários ofensivos a William e Kate. O mais curioso é que a maioria dos insultos partiu justamente dos jovens, que deveriam ao menos enxergar no casal de vinte e poucos anos, uma nova perspectiva de mundo. Mas a ignorância e o preconceito falam mais alto e todos têm direito de se expressar, mesmo que sem foco e sem referências. Isso é a nossa democracia.

Eu como sou de outra geração, tive a pachorra de prestar atenção nas palavras de um dos bispos que celebraram o tal casamento. Como nos sermões pregados em qualquer paróquia do interior, o arcebispo de Londres recomendou aos noivos que praticassem valores verdadeiramente nobres, de espiritualidade, amor generoso e tolerância.

Para quem é casado e assistiu, foi uma oportunidade para reforçar os votos de cumplicidade; para quem casou e já se separou, um momento de repensar suas atitudes e para quem nunca se casou uma inspiração para construir relações mais sólidas.

Diante do bombardeio diário de cenas tristes quase todos os dias na TV, a festa da realeza, mesmo coroada de esnobismo decadente, foi digna de nota.

Vimos que lá também tem povão, polícia armada e sem-teto, mas eles nos deram um exemplo de educação, organização e preparo para realizar um evento com milhares de pessoas.

Em vez de criticar, que tal nos prepararmos pra fazer melhor? A Copa e as Olimpíadas vêm aí.

Por Marcia Marian0 Fotos:Divulgação Data: 01 Maio 2011