Moda SPFW
FASHION DROPS
6º Dia

São Paulo Fashion Week - Coleção Outono/Inverno 2006

Isabela Capeto

Isabela Capeto






A estilista desembarcou no SPFW direto do Peru, com suas cores explícitas, silhueta fartas e belos trabalhos manuais. Modelos circularam vestidas de saias godês, jaquetas de feltro, boleros e camisetas salpicadas de miçangas e paetês.

Looks reluzentes em ouro velho ou nas peças que traziam listras coloridas bem irregulares. O étnico chique se garante no desfile, a partir das estampas tribais e na grande presença de marrom. Jogo interessante de contraste, coloca gama de cores fechadas versus tons berrantes como rosa fúcsia e o azul anil. Inverno leve, que tem em sua melhor tradução a maxicamisa de saia ampla com estampas, que aparece  coberto casualmente com tricôs gostosos, que levam a manufatura da peruana Giulana Testino







Glória Coelho
Glória Coelho

As sutilezas do universo masculino transpostas para o feminino resultam uma coleção romântica e prática, urbana.
Na passarela, os mais desejáveis mantôs e, como hit anunciado, os bloomers (shortinho tipo balonê). Bloomers para usar com botas de neoprene de três alturas diferentes. Mantôs para usar com os bloomers e sobre delicados vestidos. Entre os mantôs, destacam-se muitos, entre eles o clássico e o esportivo, com mangas de malha retilínea.
Ponto alto do trabalho de Glória nesta coleção foram as construções reveladas no lado direito de trenchs e tailleus, algumas vezes arrematadas por viés, outras vezes no corte a fio mesmo.

A cor de tudo isso? Preto. Coadjuvantes: branco, cinza, marrom e derivados. A estamparia de Teddy Bear pixelado tem o poder de cativar imediatamente.
Leves e românticos são os vestidos de tule negro salpicados de cristais. O desfile culmina com vestidos e saias de tule com surpreentes detalhes de seda em espiral.





Gisele Nasser
Gisele Nasser




A personagem agora é a doce Chapeuzinho Vermelho retrata literalmente quando Caroline Trentini abre o desfile, com casaco 7/8 de lã, com capuz. A partir daí, doces imagens de moda dominam a apresentação. A  alfaiataria que funciona como moldura e não sufoca os looks vaporosos - que conservam o balanço do corte arrendondado.

A cartela de cores - onde o vermelho é rei e deriva tons de rosa e vinho, mas cede liberdade poética ao amarelo girassol e sutis variações de azul. E uma feliz seleção de estampas e florais aplicados ressalta veludos e cetins. E a renda arremata barras de vestidos longos e preenche recortes e detalhes de boa parte da apresentação. A silhueta alterna maxi e mini e recebe patchworks de veludos e cetins e casaquetos de tricôs, um dos objetos de desejos da temporada.








Zigfreda
Zigfreda




É uma moda para gatinhas chiques, com a cintura bem alta e marcada a la 50´s. O volume se faz discreto em mangas ou em construções tipo balonê. Saias lápis e mantôs completam a lista do que é mais importante na coleção.

O diferencial da Zigfreda é a ausência do preto - sem perder a austeridade na cartela de cores. E o que destaca mesmo: belas estampas, como o floral azul-Bic no mantô branco, os balões no veludo cinza furta-cor, a estampa até na anabela de juta, com flores de couro recortadas e aplicadas. Outra estampa é a de personagens caricatos que representam a marca, como a Zigpoupée ou o Ziriguim (um pingüim).

A cartela de cores pastel ressalta verdes e roxos. O dourado é proclamado no bordado no final do desfile, como o mantô usado por Cintia Dicker.






Fábia Bercsek
Fábia Bercsek



Um inverno em camadas. E se o tempo fechar, garotas cheias de estilo vão sair por aí cobertas de couro, crochê, tricôs, veludos e malhas.

Tecidos se encontram nas sobreposições propostas pela estilistas. Suas proporções brincam com contrastes: volume generosos em ponchos, maxicardigãs, mangas bufantes (e a deliciosa calça de moletom cinza bem ampla e amarrada no tornozelo!), contra visual seco de meias-calça e calças justas colocadas por dentro de botas de cano alto.

E para não dizer que não falamos de estampas, Fábia aposta no jogo gráfico das listras e usando seu talento de ilustradora cria motivos exclusivos temperados com o brilho do lurex.

O marrom faz o elo da cartela de cores, que tem ainda cinzas e rosados como destaques.







Jefferson Kulig
Jefferson Kulig



Sempre na onda dos tecidos tecnológicos, Jefferson Kulig novamente desfilou peças primorosas no acabamento e nas aplicações modernetes em sua coleção de inverno 2006.

As cores do inverno de Jefferson são sóbrias, com o retorno do preto, e o uso do argila e do verde. Os tecidos variam entre o jersey, o tule, a organza em seda e a borracha (marca registrada de Jefferson). A silhueta proposta seguiu a linha da tendência já desfilada pela maioria das marcas nesse SPFW - alongada e seca.

A parte high-tech, sempre intrigante: cada um dos casacos em borracha foi cortado a laser e levou cerca de 400 metros de fios de soutache e 40 metros de passamanarias. Traduzido e interpretado (apenas uma das várias leituras possíveis): a tecnologia sempre está ao lado de Jefferson.







V.Rom
V.Rom



Na coleção de inverno 2006, as malharias assumiram uma forma menos rebelde e se tornaram mais democráticas. Foi um desfile figurativo, uma metonímia da moda - o individual coletivo, a parte pelo todo. Por isso os looks eram muito parecidos, pois representavam a massificação da cultura fashion.

Somente as cores e suas combinações eram bem variadas - a base foi verde, com laranja, vermelho, dourado (destaque para uma calça), azul, marrom, grafite e amarelo. As estampas também deram um show à parte, com looks em xadrez, desenhos de mulheres, brilhos e monocromias.

No caso das calças (mais justas), o cós baixo foi tendência. Já as camisetas apareceram sobrepostas, algumas amassadas e outras mais surradas. No lado mais sofisticado do desfile, vimos cardigãs de flanela. Para contrastar, os moletons com capuz em conjunto com as bermudas jeans. No geral, uma coleção bastante masculina e, novamente, muito wearable.





Sommer
Sommer



Sem dúvida, um dos melhores momentos do estilista dentro das vinte edições do SPFW. Sommer  virou gente grande na moda. E a escolha do seu desfile para encerrar a temporada de lançamento de inverno veio coroar a fase de vento a favor. Saí o efeito teatral da última apresentação e entra uma chuva providencial, refrescante como as novas idéias do estilista.

Exercício de volumes, com enfâse no balonê para meninas e mix de japonismo com hip hop para rapazes dão a silhueta da estação. O cinza domina a cena e permite pitadas de roxo e alguns xadrezes, tudo talhado com alfaiataria segura.

Em tempos conturbados, Sommer arrisca e se dá bem: salpicada laços gigantes, coloca galhos nas laterais do sapatos e gasta metros de tecidos (matelassê de couro, tricoline, veludo, moletom, lã) na confecção de um shape em versão maxi.
Fonte: SPFW Fotos: Agencia Fotosite Data: Jan 2006