|
||
De cores variadas e bastante exóticas, as tulipas têm conquistado cada vez mais o consumidor brasileiro, apesar de serem flores típicas do clima frio.
Apenas na Terra Viva, maior produtor de tulipas de Holambra, antiga colônia holandesa localizada a 140 km de São Paulo, a área destinada ao cultivo dessas flores aumentou de 2.500 metros quadrados, em 2005, para 3.500 em 2006, entre câmaras e estufas. De acordo com José Ricardo de Sousa, gerente de produção da Terra Viva, a comercialização dessas flores atingiu, no ano passado, 800 mil bulbos no mercado interno e 1,2 milhão de bulbos foram exportados, principalmente para os Estados Unidos e Canadá. Este ano a Terra Viva prevê uma produção de 2,4 milhões de bulbos, sendo 50% para o mercado interno e a outra metade para exportação. José Ricardo explica que, apesar de a baixa cotação do dólar ter reduzido as exportações e ter aumentado os custos de produção, houve crescimento da comercialização interna. Os principais mercados brasileiros são as Regiões Sudeste e Sul do país, com destaque para as capitais de São Paulo e do Rio Grande do Sul. As tulipas são comercializadas apenas no período de março a setembro. Uma das grandes divulgadoras das tulipas é a Expoflora, a festa holandesa das flores. O evento atrai anualmente, à Holambra, um publico aproximado de 300 mil visitantes de todas as partes do Brasil. Esse ano a Expoflora acontece no período de 31 de agosto a 24 de setembro, de quinta-feira a domingo, das 9h às 19h. Além de fornecer as tulipas que serão utilizadas na decoração temática, a Terra Viva disponibiliza cinco variedades de tulipas para venda aos consumidores no Garden Center do evento. Em Holambra os demais produtores que se dedicam à produção de tulipas realizam a comercialização pelo Veiling, uma cooperativa que vende as flores e plantas produzidas na cidade por meio de um sistema de leilão. Em 2005 o Veiling comercializou um volume de 400 mil unidades entre bulbos e flores vendidas e maços. Para 2006 a expectativa é de aumento de 20% nas vendas de tulipas. Durante a Explora não são realizados passeios aos campos de tulipa porque não há for aberta na produção. Assim como as rosas, as tulipas devem ser adquiridas pelos revendedores com o botão ainda fechado para que a flor se abra na casa do consumidor e dure mais tempo. Depois de aberta, a flor dura de 7 a 10 dias. As tulipas são originárias da Pérsia e não da Holanda, como muita gente pensa, onde chegaram no século XVI. No entanto, hoje é um dos símbolos daquele país, junto com os moinhos de vento e os tamancos de madeira.
Existem cerca de duas mil variedades de tulipas e em várias tonalidades de cores, mas nem todas têm valor comercial. No Brasil, as variedades mais utilizadas em vasos e arranjos florais são a Ile de France e Hollandia (vermelhas), Golden Parade, Strong Gold e Yokohama (amarela), Barcelona (pink), Don Quixote e Negrita (rosa), Ad Rem (laranja), Up Star, Kees Nelis, Leen Van Der Mark, Washington, Denise e Falcon (mescladas). As Inzel, White Dream e Lanka (brancas) são as preferidas das noivas, para os buquês de casamento. Na Terra Viva, as mais vendidas são a Ile de France e a Hollandia. Os consumidores preferem as tulipas vermelhas. Depois, pela preferência, vêm as brancas, as amarelas, as cor-de-laranja, as cor-de-rosa e, por último, as mescladas. Para os atacadistas, os vaso menores, com três bulbos, custam entre R$ 20 e R$ 25; os vasos médios, com cinco bulbos, custam entre R$ 30 e R$ 35; e os maiores, com sete bulbos, atingem entre R$ 40 e R$ 50. Nas floriculturas é muito variado o preço dos vasos e dos arranjos. Limitações no Brasil Como o Brasil é um país de clima tropical, muitas das variedades não podem ser produzidas aqui com padrão de qualidade. A Terra Viva começou a produzi-las comercialmente no Brasil em 1988 e com excelente qualidade graças aos bulbos importados da Holanda. Para tanto, foi preciso criar toda uma estrutura de câmaras frias e climatização das áreas de produção, onde a temperatura não pode ultrapassar os 35 graus centígrados. Nas câmaras frias, onde ficam armazenados os bulbos, a temperatura é de até 3 graus negativos. Além disso, precisamos de muita ventilação e de luzes artificiais para ajudar na coloração das flores. Estamos sempre solicitando aos nossos fornecedores holandeses que indiquem as variedades que melhor poderão se adaptar ao clima brasileiro. Mesmo assim, antes de colocarmos as novas variedades no mercado, realizamos teste em pequena escala. Atualmente estamos testando uma nova variedade da tulipa branca, chamada de Agrass White. Se os testes forem positivos, colocaremos essa nova variedade ao mercado em 2007. Desenvolver a Agrass White no Brasil interessa-nos porque sua haste é mais firme e o botão maior do que as variedades disponíveis atualmente, explica José Ricardo. História e curiosidades da tulipa As tulipas são originárias das montanhas da antiga Pérsia. De lá partiu para outros lugares, acompanhando a antiga rota da seda. O nome, provavelmente, é derivado da palavra persa tulbänd, que vem do turco tulbend e que significa turbante. Em latim essa palavra foi batizada de tulipa, até hoje o nome oficial da flor. Os registros são de que as tulipas foram catalogadas pelo botânico Conrad von Gesner em 1559 e levadas para Holanda por volta de 1560. Valorizada como uma jóia na Turquia, a planta só podia ser cultivada nos jardins reais. Dos jardins, ela migrou para desenhos nas paredes em mesquitas e palácios, para a decoração de tapetes e marchetaria de móveis. Foram usadas, também, como motivos para a ornamentação de azulejos de faiança e louças. Na Holanda, a tulipa chegou a ser considerada sinal de poder e prestígio para os aristocratas e classificada como uma flor elegante. No século XVII, com a tulipomania, espécie de febre do desejo de possuir tulipas que acometeu o povo holandês, a cultura e o comércio de flores foram amplamente divulgados e explorados. Contam-se casos extremos, como o de um cidadão de Amsterdã que teria dado uma casa em troca de um único bulbo de flor. Esses exageros e mesmo o tráfico de tulipas acabou levando o governo holandês a proibir o seu comércio. Com a falta de alimentos durante a Segunda Guerra Mundial, os holandeses aproveitaram e cozinhavam o bulbo (tipo de batata) para comer e fazer bolos e, torrando-o, preparavam uma espécie de café. Atualmente, a Holanda é a maior produtora de tulipas do mundo, com cerca de 2 mil variedades, exportando cerca de 2 bilhões de bulbos para mais de 80 países em todo o mundo, inclusive o Brasil, que, pela Holambra, os importa para o plantio. Dicas de agrônomo: As tulipas em vaso devem ser adquiridas com as flores ainda em botão. O gerente de produção da Terra Viva, José Ricardo de Sousa, recomenda que o vaso seja mantido em local fresco, com boa luminosidade, longe de ventos e do Sol forte. Embora o clima brasileiro não seja adequado a mais de uma florada, não é impossível fazer com que a planta floresça mais de uma vez. 1. Quando as flores morrerem, corte-as; 2. Deixe as folhas no vaso até que elas sequem; 3. Retire os bulbos da terra, embrulhe-os em papel jornal e mantenha-os em local fresco, sombreado e arejado por cerca de três meses, sem deixar que se molhem; 4. Plante-os num vaso plástico com terra vegetal umedecida, sem encharcá-la; 5. Embrulhe o vaso em um plástico e coloque-o na geladeira por quatro meses (2 a 9o C); 6. Após esse período, tire o vaso da geladeira, retire o plástico e leve a planta para um local fresco e com boa luminosidade, mas sem que receba ao luz do Sol diretamente, por mais dois meses, lembrando de manter a terra sempre úmida; 7. Repita a operação e leve o vaso para um local iluminado. Ficha técnica: Nome científico: Tulipa gesneriana l, da família das liliáceas bulbosas Nome comum: Tulipa Cores mais comuns das tulipas plantadas em vasos: Vermelho, rosa, amarelo e laranja Cores mais comuns das tulipas de corte:Rosa, amarelo, laranja e branco, vermelho e mescladas Durabilidade: 7 a 10 dias Usos da tulipa:Decoração de ambientes, arranjos e buquês Conservação: Em ambiente refrigerado a 5° graus Celsius, necessitando de troca de água a cada 2 dias e corte de 2 centímetros da base de sua haste Disponibilidade no mercado:De março a outubro Padrão de venda: Em vasos com 3 a 10 bulbos e em maços com até 10 hastes |
||