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Os jardins idealizados nos 20 ambientes contemplam grande diversidade de plantas ornamentais, entre elas palmeiras, espécies aquáticas, rasteiras ou trepadeiras numa associação harmoniosa com o exotismo das bromélias e a delicadeza da maria-sem-vergonha.
A tendência do paisagismo ambiental, que prioriza a utilização de espécies nativas de plantas e flores, de materiais recicláveis ou reaproveitáveis e opta pelas energias alternativas e pelos processos reuso da água, faz parte da maioria dos projetos da 5ª mostra de paisagismo e jardinagem Minha Casa & Meu Jardim, uma das atrações da 28ª edição da Expoflora. Considerada a maior exposição de flores e plantas ornamentais da América Latina, a Expoflora acontece de 3 a 27 de setembro, de quinta-feira a domingo (e no feriado e 7 de setembro), das 9h às 19h, em Holambra, antiga colônia holandesa localizada a 140km de São Paulo e a 40km de Campinas. A mostra, organizada pela engenheira agrônoma Ana Rita Gimenes e pelo economista especializado em marketing internacional Ralph G. Dekker, reúne 20 ambientes com projetos diferenciados de jardins assinados por 50 profissionais, entre paisagistas, decoradores, designers , agrônomos e engenheiros agrônomos. Em cada espaço foram criados jardins inovadores, com as últimas tendências do paisagismo mundial. São centenas de variedades de flores e plantas produzidas pelos produtores de Holambra e região e inseridas em espaços que primam pelo bem-estar e pela qualidade de vida. A montagem da mostra envolveu a mão de obra de mais de 200 profissionais, tendo como resultado propostas de valorização das áreas de jardins, aliando conforto, praticidade e beleza ao equilíbrio da convivência harmoniosa entre o homem e a natureza. A aplicação do conceito de sustentabilidade nos ambientes está nos materiais diversos empregados na confecção dos móveis para jardins, nos pisos, nos acessórios e até nos objetos de decoração: madeiras de demolição, rochas artificiais, fibra natural, bambu, polietileno, alumínio naval, couro náutico, entre outros materiais reutilizados como matéria-prima para a produção de novos produtos. Conceitos dos ambientes
Jardim das Águas (Ambiente 2) A água é o elemento marcante no projeto assinado por Ricardo Caporossi Jr. e Candido Fagundes. O jardim possui um lago ornamental com carpas e um espelho d'água com vegetação aquática interligados por uma corredeira que propõem a contemplação por meio de duas soluções diferentes que se harmonizam em um mesmo espaço. Foram utilizados cerca de 30 variedades e mais de 1.000 vasos plantados, incluindo bromélias, palmeiras e marantas, com destaque para as plantas aquáticas, como alface d'água, ninféias e papirus. O cenário é complementado pelo mobiliário de linha rústica e fabricado com madeira de demolição e, seguindo o conceito de sustentabilidade, pelas rochas artificiais feitas em cimento. Paisagismo Inovador (Ambiente 3) A designer de interiores e paisagista Iara Kílaris apostou na explosão de cores na montagem do espaço que ela projetou, visando estimular todos os sentidos sensoriais dos visitantes com cores diversas e formas orgânicas. O jardim reúne várias espécies de plantas que têm como principal característica a coloração com ênfase para os tons marcantes. Cinema no Jardim (Ambiente 4) Materiais ecologicamente corretos como madeira certificada e fibra natural compõem o espaço criado pela paisagista Agnes Barretto Dias e pelo engenheiro agrônomo Roberto Barretto Dias Filho, com a caracterização de um ambiente de transição entre espécies adaptáveis aos bioma Mata Atlântica e Cerrado Paulista. Foram utilizados cerca de 15 variedades de plantas e 189 vasos plantados. Entre as espécies que detalham a proposta estão o butiá, palmeirinha-de-bambú, canafístula, jequitibá branco e árvores originárias do Cerrado.
Mudança de Hábito (Ambiente 6) A conscientização sobre a necessidade de reduzir os impactos ambientais e de preservar a natureza é a proposta apresentada pela engenheira agrônoma e paisagista Nancy Ferruzi Thame. A profissional mostra o lixo como um dos maiores problemas da humanidade neste século, lembrando que a reciclagem tem dado origem a muitos materiais e objetos para paisagismo e jardinagem, como o reuso de madeiras, ferragens, pisos e mosaicos, entre outros. De acordo com a paisagista, pisos coloridos e decorativos, delimitadores de grama, cabos de ferramentas e cobertura de solo são algumas das novidades oriundas do lixo urbano que já enfeitam os jardins da atualidade. Além de aplicar o conceito da sustentabilidade, o projeto prioriza a vegetação brasileira com exemplares de árvores nativas, folhagens e orquídeas. Família no Quintal (Ambiente 7) O projeto destaca as variedades de trepadeiras nos jardins em suas diferentes formas e os resultados obtidos na utilização de madeira proveniente de restos de construção na montagem de móveis rústicos, pérgolas, pisos e outros componentes do espaço. Assinado pelo engenheiro agrônomo e paisagista Paulo T. Van Den Broek e pela paisagista Maristela Van Den Broek, o projeto desdobra-se em dois ambientes, formando uma praça e um quintal. A praça mostra a utilização de móveis rústicos e trepadeiras em ambientes públicos. No quintal, área reservada para a convivência familiar, o projeto apresenta a aplicação de trepadeiras em muros e móveis rústicos com o intuito de aproximação e relacionamento. Entre as espécies utilizadas estão quatro variedades de trepadeiras: a m adressilva e o jasmim, que propiciam um odor agradável com floração o ano inteiro; a pandoreia, que também floresce boa parte do ano; e o clerodendron que se destaca pelas suas flores exuberantes.
Espaço Varanda (Ambiente 8) O ambiente da varanda, projetado pela arquiteta e designer Patrícia Rondini Forte Vilela, também segue o conceito da sustentabilidade com o uso de materiais, como as tintas ecologicamente corretas por serem produzidas à base de água, sem o uso de solventes químicos. Entre as espécies do jardim estão a pata de elefante, caracterizada pelo tronco ornamental; a palmeira licuala, que possui folhas plissadas como um leque, dando a impressão de movimento, e que, juntamente com a palmeira chamaedorea, forma um conjunto de folhagens monocromáticas. A composição da flora conta, ainda, uma forração colorida ao lado da sempre florida maria-sem-vergonha (impatiens). Bosque do Convívio (Ambiente 9) O espaço elaborado pelo engenheiro agrônomo e paisagista Alexandre Galhego tem como proposta a valorização do canto de uma residência, com a transformação do espaço em uma área de convívio multiuso para os moradores e visitantes. A composição do jardim destaca-se pelas características tropicais das espécies e pela escolha de materiais sustentáveis, como a madeira de plástico do deck e a ecoparede, uma espécie de proteção térmica para fachadas, feita com módulos de plantas. Plantas tropicais como a bromélia imperial, í ris da praia e a grama preta estão entre as espécies que compõem o projeto. Casa do Cão (Ambiente 10) Os animais de estimação, cada vez mais presentes e integrados ao ambiente familiar, também têm seu espaço verde. A proposta dos paisagistas Ricardo Caporossi Jr. e Candido Fagundes e da veterinária Daniela Scarcello Melloni Caporossi apresenta um quarto para o cachorro, um spa e um espelho d'água construídos no jardim. O espaço foi criado com o objetivo de proporcionar um ambiente moderno e saudável para o cãozinho de estimação, integrado a um cômodo próprio da casa e formado por um jardim cuidadosamente elaborado para que o animal e seus donos desfrutem da natureza de forma harmoniosa. Pedras portuguesas, madeiras, pedriscos e diversos objetivos decorativos formam o ambiente que inclui 13 espécies diferentes de plantas ornamentais. Foram excluídas as plantas aromáticas, as suculentas e as que armazenem água, para não chamar a atenção do animal. Jardim dos Hibiscos (Ambiente 11) O ambiente idealizado pelo paisagista Luciano Simões destaca-se pelas variedades de hibiscos selecionados para a composição do jardim, visando tornar o espaço alegre e colorido. Caracteristicamente tropical, o hibisco, além da beleza de suas flores, é também atrativo para o beija-flor. Em uma combinação equilibrada, o projeto paisagístico contempla, ainda, outras espécies tropicais, como o antúrio, a palmeira, a bromélia imperial, a lavanda, a helicônia e a grama esmeralda, além do mobiliário e da iluminação que complementam o cenário.
Jardim das Tropicais (Ambiente 13) A junção da arte com a natureza é a proposta desse ambiente criado pela arquiteta e paisagista Raquel Alves, composto por um espelho d'água feito em pastilhas, móveis produzidos com madeira de demolição, incluindo uma espreguiçadeira com desenho orgânico, além de peças artísticas de vidro e painéis decorativos de madeira. O verde está presente nas espécies de folhagens, com predominância da areca dourada, combinando o verde das folhas com seu caule dourado. O projeto une elegância e simplicidade, com destaque para as formas orgânicas em simetria com a natureza. O jogo de cores está presente em todos os componentes, da vegetação tropical até os objetivos decorativos.
Refúgio dos Amigos (Ambiente 14) Caracterizado como área de lazer com foco na contemplação, na integração e no convívio, o jardim projetado pela paisagista Silvia Maretti, com a colaboração dos arquitetos Lia Brasi e Henrique Cardoso, reúne vários equipamentos de lazer e para relaxamento: a piscina com cromoterapia e hidromassagem e o gazebo e o deck confeccionados com madeira certificada. O ambiente ganhou cortinas de voil brancas e uma lareira a gás. O mobiliário é de fibra sintética e pode permanecer ao ar livre em qualquer condição climática. O conceito de sustentabilidade está presente no revestimento da piscina em vinil, na iluminação com baixo consumo de energia e na lareira, sem a queima de madeira. As principais plantas utilizadas são a exótica palmeira azul, a zâmia, a cica e o cacto-macarrão, que foi usado na parede como alternativa ecológica em substituição ao xaxim, além da palmeira triangular e do bambu mossô. Solarium dos Pássaros (Ambiente 15) O paisagista e engenheiro agrônomo Mauro Contesini e a arquiteta Inês Maciel Scisci montaram um ambiente para atrair pássaros de diversas espécies e possibilitar ao frequentador alimentar, ouvir o canto ou, apenas, apreciar as pequenas aves. A escolha dos materiais segue o conceito de sustentabilidade, como as luminárias de alumínio naval, que é reciclável, os vasos em polietileno e os móveis confeccionados em madeira de demolição e em alumínio com o uso de fibra sintética e couro náutico. Além disso, os profissionais deram preferência aos seixos e às lascas de madeira fabricada de forma ecologicamente correta para o acabamento e utilizaram tinta à base de água. O verde está presente nas palmeiras, nos arbustos, nas flores e nas forrações. Algumas espécies possuem elementos atrativos para pássaros, a exemplo da palmeira moinho-de-vento, cujos pequenos frutos de coloração branco-azulada atraem as aves, além das fibras do tronco nas quais elas podem fazer seus ninhos.
Jardim das Sensações (Ambiente 17) Projetado pela mesma equipe do ambiente destinado às crianças, o Jardim das Sensações apresenta uma concepção modernista com a repetição de uma única figura geométrica, no caso, o quadrado, combinando suas linhas com as formas assimétricas criadas pela natureza a partir da diversidade das plantas escolhidas. A instalação caracteriza-se pela utilização de cubos sobrepostos para produzir o efeito de uma cascata de impatiens e peperomios que imprimem a idéia de movimento. Os elementos decorativos incluem duas fontes espelhadas e uma lareira para conferir aconchego ao espaço. Entre as espécies de plantas e flores ornamentais estão três variedades de peperômia (limão, variegata e pendente), aloe-vera, lírio tocha e afalandra vermelha. Praça Recreio das Palmeiras ( Ambiente 18 ) O projeto foi concebido com o objetivo de revitalizar uma praça (melhoria de suas qualidades botânicas e preservação da vegetação existente), dando-lhe novas funções que incluem a recreação para crianças, descanso para adultos e convívio para quem por lá circule. O destaque no paisagismo são as duas espécies de palmeiras: a butiá capitata ou butiá-de-praia, planta nativa muito resistente, que ocorre principalmente nas regiões litorâneas do sul do Brasil , e a wodyetia bifurcata ou rabo-de-raposa, espécie exótica australiana que se adaptada bem às condições climáticas de diversas regiões do país . Cada um dos oito exemplares de butiás plantados tem cerca de 40 anos de idade, 5 metros de altura e pesa, em média, 3,5 toneladas. Já os nove exemplares da espécie rabo-de-raposa têm aproximadamente 12 anos de idade, 6 metros de altura e pesam 350kg cada um. Fornecidas e plantadas pela Portal das Palmeiras, empresa especializada em produção, transporte, replantio e manutenção de palmeiras adultas de grande porte, as palmeiras foram dispostas de forma radial, margeando e protegendo a pracinha destinada à recreação infantil e na qual, sobre um piso revestido com concreto estampado, foi instalado o parque infantil produzido com equipamentos de madeiras reflorestadas. Os brinquedos trazem a marca da Casa na Árvore, também responsável pela confecção das duas casinhas de boneca cercadas por mudas de hortênsias e lavândulas que compõem o outro ambiente reservado para uso de crianças. No jardim, o painel do vitralista Ton Geuer com flores de hortênsias mistura-se aos coloridos canteiros nos quais foram plantadas oito variedades de flores em 920 vasos. Criado pela engenheira agrônoma e paisagista Rosana Negreiros e implantado pelo arquiteto Francisco Almeida, o projeto é resultado da parceria das empresas Portal da Palmeiras, Casa na Árvore, Floral Design e da própria Expoflora. Paisagismo Ambiental (Ambientes 19 e 20) - O paisagista ambiental Cícero Veloso assina os dois últimos espaços da mostra. Entre os materiais que integram paisagismo e meio ambiente estão v asos rústicos, cascatas, seixos marmorizados, pedrisco e casca de pinus. A proposta de valorização ambiental está presente nas espécies nativas que formam os jardins, como as palmeiras (fênix e triangular), a cica e a d racena arbórea, que se harmonizam com os canteiros floridos de m aria-sem-vergonha e de margaridas.
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