Artista
Maneco Gusmão
O Barroco de Gusmão
sacroprofanus
A obra mostra através de pintura em painel de madeira e esculturas artesanais, a busca da síntese entre a contradição de elementos eqüidistantes, como o sagrado e o profano, a aparência e a essência, o rústico e o esplêndido, a miséria e a riqueza, o horror do vazio e a sedução pela beleza, elementos esses essenciais do Barroco - em perfeita harmonia com o mundo contemporâneo - e que se encontram tão bem refletidos no objeto retratado e discutido em suas obras.

O artista procura, por meio da reflexão sobre a religiosidade brasileira - que para ele carrega uma forte carga de moralidade judaico-cristã oposta e paralela - passar um consistente conteúdo estético-erótico, para desenvolver mecanismos de estimulação como um jogo interativo de destruição e construção, à procura de novas linguagens e caminhos.

Maneco de Gusmão persegue formas ambíguas, dotadas de conteúdo simbólico, para que se possa ensejar a proliferação de sentidos naqueles que se detêm a apreciar sua arte. E faz uso intenso e transgressivo de símbolos que expressam a sexualidade como se ele próprio estivesse incomodado com o uso mecânico, rotineiro e com a mesmice que costuma nortear a linguagem deste tipo de assunto nas inúmeras formas de expressão existentes.

Suas obras refletem um frenesi de razão e paixão, de dor e prazer, androginia e supersexualização, numa simbiose em constante mutação. Sua arte é uma espécie de fogo de artifício à procura do gesto sagrado, em flagrante oposição ao profano da modernidade.

Segundo Maneco: "Toda obra de arte é um gesto erótico, como dizia Adolf Laos no início do século passado. A primeira delas foi concebida quando o artista, dando livre curso à exuberância, rabiscou as pedras. A linha horizontal simbolizava uma mulher deitada e a vertical a do homem que a penetrava. A obra artística se alimenta de desejos e a criação é por excelência um ato amoroso. A arte é constituída de zonas eróticas, que se delineiam e se insinuam por entre bruscos ou delicados movimentos de inúmeros materiais táteis de todas as espessuras e texturas que a molda e lhe dá vida".

MANECO DE GUSMÃO
Residente entre Paris e Ouro Fino desde 1990. Voltou para sua cidade natal no final de 2004 para ocupar o cargo de Secretário da Cultura. O artista tem uma obra incorporada ao patrimônio da França (Le Guetteur de la Juine), feita sob encomenda para o Ministério do Meio Ambiente do governo francês, em 2002. Trabalha com arquitetos do departamento do Patrimônio e Meio Ambiente em projetos de valorização de espaços, tais como les Vallées de la Juine e de l'Orge (Essonne et les Yvellines), localidades próximas a Paris. E em estudos de reconstrução do antigo sítio e port-aviation à Viry Chatillon (região de l´Essonne) e de valorização das beiras do Rio Marne no oeste parisiense.

Além disso, também foi professor de pintura nas prisões de Bois d´Arcy e Fleury Morangis (França). Uma experiência que, por sinal, levou de São Paulo, onde foi coordenador das atividades de expressão plástica da Penitenciária do Estado (Carandiru) e responsável pelas exposições desses trabalhos no MASP, MIS e Centro Cultural Vergueiro. Ainda na França, realizou exposições individuais na Eglise Notre Dame des Champs, Galeria Du Temple no Couvent Royal de L´Annonciation de Recóles. Foi bolsista da Association d´Artistes Unlimeted, na Alemanha e, entre outras, fez exposições em Bielefeld, Berlim, Barcelona, Madri.

Em São Paulo, realizou ainda uma instigante intervenção na Bienal de 1985, com um Painel de 200 m², intitulado "64 Pulsações 84", sobre os 20 anos de ditadura no Brasil e fez algumas individuais. Ele tem na sua cidade natal, Ouro Fino (MG), um grande acervo: a instalação com quatro esculturas monumentais, datada de 2000, e que pode ser vista na praça do Santo Cruzeiro. Lá também criou a Escola de Samba Reais Raízes em 1996, foi idealizador do Museu de Arte Sacra e fundador de uma ONG, que tem como objetivo atuar nas áreas cultural e ambiental.
Fonte: Assessoria Foto: Divulgação Data: Maio 2005