Artista
Jesús-Rafael Soto
A Construção da Imaterialidade
Artista de tremenda ousadia e de constante renovação, em estado de permanente curiosidade e investigação de novos domínios.
Jesús-Rafael Soto viveu em Paris nos últimos 50 anos. No Brasil, participou de cinco Bienais em São Paulo, teve uma grande mostra itinerante (vista em São Paulo, Curitiba, Salvador e Porto Alegre, que não veio ao Rio de Janeiro) em 1997 e uma mostra individual em 2002, também em São Paulo, quando em entrevista a Maria Hirszman para O Estado de S.Paulo ele declarava: Sobre uma “ausência de emoção” na arte cinética: Acredito que a matemática é poesia pura. (...) se você não tem um sentido poético, não consegue captar coisas muito sutis, universais, não pode chegar à arte cinética. O que são os poetas? São pessoas
que estão procurando elementos que estão dispersos e tentam pegá-los. (...) É que na realidade minha função é tomar o material e convertê-lo de elemento rígido em elemento vibratório, levando a uma possível desmaterialização conceitual e óptica. Há muito pouco cálculo. Só trabalho com cálculo quando tenho que fazer coisas grandes, que envolvam arquitetura, porque não posso me equivocar. No ateliê é possível errar e recomeçar.

Meu interesse era ensinar as pessoas (...) que não se deram conta de que o espaço e o tempo são entidades maravilhosas, às quais pertencemos e que são cheias de possibilidades, (...). Meu interesse é despertar um pouco a consciência de que o espaço é uma entidade plena, elástica que não apenas nos envolve. Quis mostrar que fisicamente somos espaço/tempo. E como despertar esse interesse? Era necessário inventar coisas. Não era possível fazer com a tela, com a pintura. Estou fazendo o mesmo que o homem pré-histórico, que estava buscando como fazer o movimento e então descobriu como fazer um cavalo, um bisão; e ademais fez a melhor pintura do mundo.

Sobre o possível esgotamento da linguagem que ele utiliza: A pessoa utiliza a escrita que lhe convém para isso. Você senta e escreve com as mesmas vinte e tantas letras que tem o alfabeto. Colocando-as acima, abaixo, ao lado, segue-se escrevendo e fazendo obras maravilhosas, com as mesmas letras.

Jesús-Rafael Soto nasceu em 1923 em Ciudad Bolívar, Venezuela e faleceu em janeiro de 2005. Aos 27 anos vai para Paris onde é influenciado profundamente pela arte construtiva geométrico-abstrata de Mondrian e Malevitch.

Soto é considerado um dos pioneiros da arte cinética, que procura aplicar o movimento nas artes plásticas.
Com seu trabalho Metamorfosis de 1954 introduz o movimento ótico na pintura. Realiza em 1967 seu trabalho ambiental, o primeiro Penetrável, que exige que o espectador “entre” dentro da obra. Toda a trajetória artística de Soto é uma pesquisa sobre a visualidade, a luz, o movimento, a vibração, como fenômenos sensoriais e imateriais que envolvem o espectador. Em 1973 inaugurou em Ciudad Bolivar a Fundación Museo de Arte Moderna Jesús Soto, projeto do renomado arquiteto venezuelano Carlos Raúl Villanueva, cujo acervo reúne obras suas, do abstracionismo geométrico e da arte cinética, inclusive de Hélio Oiticica, Lygia Clark e Sérgio Camargo de que foi amigo.
Fonte: Assessoria Foto: Divulgação Data: Maio 2005