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por Sergio Torreta |
A
exposição reúne 16 artistas
de todo o Brasil, unidos por uma
história comum: todos são portadores de deficiência física.
A curadora da
exposição é Jacqueline Finkelstein, diretora do Museu
Internacional de Arte
Naif, que selecionou os 180 trabalhos que estarão expostos no
Museu
Histórico Nacional. O objetivo da exposição é o
de valorizar junto ao público
em geral a
qualidade artística destes trabalhos e não as
deficiências
de seus autores,
como normalmente acontece em exposições de cunho social e filantrópico."
Muitos de nós gastam anos na busca de um sentido para a vida. Ao
compartilhar algumas horas da vida de cada um dos artistas, experimentei uma
sensação de plenitude, recebendo valiosas lições
de superação de obstáculos
e de perseverança", diz a curadora da exposição.
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| por Jussara Cedro |
Deuseni
Félix é uma das artistas convidadas para a exposição.
Nascida em
Goiás, formada em Artes Plásticas, concentra sua pesquisa pictórica
em
grupos afro-descendentes e povos indígenas.
Zé Côca é de
Mato Grosso,
natural de Rondonópolis. Colorista por excelência, seus desenhos
são
caricatos e cheios de humor. A gaúcha
Jussara Cedro é formada
em Artes
Plásticas e mora em Florianópolis, SC. No início, a cerâmica
era apenas uma
terapia, mas hoje sua produção é amadurecida e consistente.
Cada um deles é também um espírito solidário.
Ministram cursos em suas próprias casas, em
ateliês, organizam associações, são voluntários
em hospitais e centros para
portadores de deficiência.
Homenagens
A exposição "De mãos Dadas- Revisitando
o Brasil" foi
a forma encontrada
pelos organizadores de promover uma inclusão social de fato, valorizando
o
talento dos artistas portadores de deficiência nas mais diversas modalidades,
como pintura, escultura, cerâmica e tapeçaria, além
de maquetes.
Três conhecidos artistas brasileiros, que também portavam
algum tipo de
deficiência, serão homenageados na mostra:
Anita Malfatti,
Aleijadinho e
Nhozim, cujas peças também estarão expostas.
Além
de comporem um inegável
patrimônio artístico, trazem também um legado de superação
de limites. Suas
experiências, com certeza serviram de inspiração para cada
um dos artistas
convidados.
As obras de
Nhozim, Antonio Bruno Pinto Nogueira, natural
do Maranhão
e
nascido no início do século passado, fazem parte de uma coleção
particular e
nunca foram expostas. Vítima de sífilis, doença que progressivamente
foi
deformando o seu corpo, desenvolveu um trabalho minucioso e sofisticado que
atinge o auge na temática do bumba-meu-boi.
Aleijadinho, artista plástico
do barroco mineiro, sofreu a partir dos 40 anos de idade de
uma doença degenerativa nas articulações, que pode ter
sido hanseníase ou
alguma doença reumática.
Anita Malfatti, precursora
do movimento Modernista
brasileiro, nasceu com um defeito congênito que lhe limitava os movimentos
do braço e da mão direitos. Ao procurar os médicos, sua
mãe descobriu que o
problema era irreversível e então ensinou Anita, que era destra,
a fazer
tudo com a mão esquerda.
 |
por Fernando Fernandes
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Valorizada, portanto, por alguns dos mais expressivos
nomes da arte
brasileira, a exposição é complementada por maquetes táteis,
onde portadores
de deficiência visual poderão "conhecer" ou sentir cinco
importantes
monumentos brasileiros, como Pão de Açúcar, Escadarias
e Fachada da Igreja
do Senhor do Bomfim, Rio Amazonas entre outros.
O espaço
O Museu Histórico
Nacional oferece as melhores condições
de acesso para os
portadores de deficiência física, rampas e elevadores até as
salas de
exposição, vagas especiais no estacionamento e sanitários
adaptados. O
espaço físico da exposição foi planejado para garantir
aos visitantes uma
perfeita e segura movimentação. Corredores largos, monitores
para os
visitantes em geral e intérpretes da Língua Brasileira de Sinais
(LIBRAS)
para não ouvintes foram alguns dos itens cuidadosamente planejados.
A
ONG Flor Amarela (São Vicente de Minas - MG) estará fazendo
demonstrações
do trabalho que realizam em tecelagem com portadores de deficiência visual,
além de ministrar oficinas de tecelagem para o público em geral.
O objetivo é mostrar na prática como são realizadas algumas
das obras expostas, além de
estimular a criatividade e o talento dos visitantes.
A exposição
conta com o patrocínio da Merck S.A., indústria
farmacêutica
alemã, e com o apoio da W/ Brasil, que assina a campanha publicitária.
A
realização é da Sábios Projetos.