Artistas

Abraham Palatnik, Alfredo Volpi, Aluísio Carvão, Ivan Serpa, Hélio Oiticica, Joaquim Tenreiro, Julio Le Parc, León Ferrari, Lygia Clark, Lygia Pape, Mira Schendel, Paulo Mendes da Rocha, Raymundo Colares, Waldemar Cordeiro e Willys de Castro.

Através

Mostra na Galeria Bergamin traz reflexão sobre o construtivismo e o cinetismo.

Depois de As Bienais, inaugurada em setembro do ano passado, a Galeria Bergamin apresenta agora a exposição Através. Com curadoria de Lisette Lagnado, a mostra reúne 23 obras de 15 destacados artistas de estilo construtivo, cuja formação se dá nos anos 50.

A exposição busca esclarecer um mal-entendido que continua acompanhando o construtivismo, a despeito dos escritos teóricos de seus participantes. Isto é: o artista “construtor” - como Hélio Oiticica chamava essa vertente que podia abarcar vários “ismos” - não é necessariamente um artista geométrico e muito menos “formalista”. “A expressão ‘vontade construtiva´, assim como os artistas russos se referem ao construtivismo do início dos anos 20, evocava um ideário social de ‘caracterização cultural´ e não apenas o ascetismo de um movimento esteticista marcado por um rigor geométrico como ficou consagrado”, explica a curadora.

Um outro objetivo desta exposição consiste em rastrear como desponta a questão do movimento físico no horizonte da arte. A partir dos anos 50, começou a surgir uma consciência de que o espaço é repressor e de que era necessário proporcionar ao espectador uma fruição ativa. Um Objeto Ativo (1959) de Willys de Castro já deixa claro que o artista não se satisfaz mais com a dimensão do plano. Podendo ser manipulado, O Bicho (1960) de Lygia Clark aparece como o momento em que a escultura elimina a distância entre sujeito e objeto. “As obras reunidas nessa mostra sinalizam a busca pelo movimento, seja da obra ou do espectador, e constituem a etapa logo anterior ao ingresso da participação social na arte”, declara Lisette Lagnado. Segundo a curadora, esta exposição mostra como a geometria foi um instrumento que preparou o movimento e este, por sua vez, desencadeou um processo de ativação do público, até então restrito a uma contemplação pura.

Lygia Pape, que faleceu o ano passado no Rio de Janeiro, ocupa o salão principal da galeria (10x10m), com a T-teia 1-C (1979), trama de fios dourados formando uma rede em escala arquitetônica. Esta iniciativa faz parte de um esforço já em andamento de reconhecimento da trajetória de uma artista que foi protagonista do período Neoconcreto e dividiu parcerias com importantes integrantes do grupo.

A T-teia 1-C é um ambiente sensorial e ótico que dá destaque à questão da mobilidade do espectador. Do mesmo modo, as peças cinéticas de Abraham Palatnik, Julio Le Parc e León Ferrari permitem fazer a passagem para um espaço vibrátil, em que esta mobilidade revela aspectos sempre cambiantes da obra. As pesquisas de Waldemar Cordeiro o levarão a ser considerado o pioneiro da arte ligada a novas tecnologias (o computador).

A mostra não tem caráter museológico nem a pretensão de exaurir as pesquisas artísticas em torno da questão do tempo no espaço. Trata-se apenas de evidenciar como movimento e ritmo estão prenunciados em algumas obras (como as de Ivan Serpa), mesmo que ainda de modo virtual. Raymundo Colares é um caso exemplar: suas faixas geométricas, freqüentemente fragmentadas, aludem à velocidade urbana.

O uso do acrílico na maior parte das obras de Mira Schendel traduz sua busca permanente em fazer coincidir o verso e a frente, sem hierarquia de leitura ou valor. O termo “Através” foi escolhido exatamente nesse sentido.

As inclusões de Tenreiro (conhecido designer de móveis) e do arquiteto Paulo Mendes da Rocha correspondem à necessidade de mostrar o contexto da arte no seu sentido mais amplo, abrangendo sua extensão na vida cotidiana. Alfredo Volpi insere-se como um caso ímpar de composição com construção. A maioria dos artistas desta mostra teve uma prática que permitiu uma inserção criativa na sociedade industrial (na criação de logotipos, padronagens têxteis, cartazes etc.).

É importante ressaltar que a exposição traz nomes ainda pouco pesquisados em nossa teoria estética (Aluísio Carvão, entre outros), tentando romper com a hegemonia crítica que se estabeleceu recentemente tanto no plano nacional como internacional”, esclarece a curadora.

Lisette Lagnado é doutora em Filosofia pela Universidade de São Paulo, crítica de arte e curadora independente. Iniciou sua vida profissional como editora das revistas Arte em São Paulo e Galeria. Em seguida, trabalhou um ano, entre 1990 e 1991, como repórter de artes plásticas para a Folha de S. Paulo. Sua primeira curadoria, “A presença do readymade – 80 anos”, no Museu de Arte Contemporânea da USP, ganhou o Prêmio APCA de Melhor exposição do Ano (1993). Fundou o Projeto Leonilson para a catalogação da obra do artista logo após a sua morte. Em 1996, participou do mapeamento territorial “Antarctica Artes com a Folha”, que revelou importantes talentos como Marepe e Rivane Neuenschwander. Em 1999, realizou a mostra em homenagem a Iberê Camargo para a II Bienal do Mercosul. A partir de 2001, é convidada a editar a seção “em obras” para a revista eletrônica Trópico (www.uol.com.br/tropico). Foi responsável pela organização dos arquivos de Hélio Oiticica para o Instituto Itaú Cultural, que pode ser acessado no endereço www.itaucultural.org.br. Em 2004, foi curadora da seção brasileira para o segmento “Up & Coming” da feira internacional ARCO, sediada em Madri. Este ano, participa do programa Rumos Visuais do Itaú Cultural como Curadora-coordenadora. Publicou os livros Conversações com Iberê Camargo (esgotado) e Leonilson. São Tantas as verdades (São Paulo, DBA), entre vários artigos na imprensa especializada, nacional e internacional.

A Galeria Bergamin, iniciativa de Jones Bergamin, tem como conceito realizar quatro exposições por ano, com curadores convidados, para abordar temas de relevância que contribuam para maior compreensão e divulgação da arte brasileira. Ocupando um espaço privilegiado projetado por Vilanova Artigas na região dos Jardins, a galeria, com esta nova proposta, foi inaugurada em setembro de 2004, com a exposição As Bienais, sob curadoria de Leonor Amarante, que reunia obras de artistas de participação destacada nas Bienais de São Paulo.

Exposição - Através - Até 21 de maio de segunda a sexta, das 11h às 19h, sábado das 11h às 15h
Galeria Bergamin - Rua Rio Preto, 63 - Cerqueira César - São Paulo - SP - Tel: 11-3062-2333
Fonte: Assessoria Foto: Divulgaçâo Data: Abril