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O que diferencia arte de Tecnologia?

Artistas plásticas Daniela Kutschat e Rejane Cantoni, convidadas pela Universidade da California, estréiam em Irvine nova instalação de sua série Op_Era

O que diferencia arte de tecnologia?
Para o senso comum, tudo: a distância entre um quadro e um viaduto, por exemplo, seria tão grande que virtualmente nada ligaria uma coisa a outra. As artistas plásticas brasileiras Daniela Kuschat e Rejane Cantoni estão dispostas a provar que a impressão está completamente errada. E elas estão muito bem acompanhadas. A partir da última semana de abril, a convite da Universidade da Califórnia, vão apresentar uma nova edição de sua instalação Op_Era no disputado Beall Center for Art Technology, em Irvine. A estéia ocorre dia 26 de abril.

Op_Era: interação com a dimensão corporal (Foto: João Caldas)
O projeto mostra que, como definiam os gregos há mais de cinco mil anos, técnica e arte formam uma coisa só. Desta vez, para colocar em prática uma instalação de imersão em que o público vai interagir com sua própria dimensão corporal através de sons, Daniela e Rejane tiveram de pedir ajuda até mesmo a um fabricante de equipamentos de automação industrial, a Atos Automação, que cedeu tecnologias de última geração, normalmente utilizadas em linhas de montagem.

Ganhadora de importantes prêmios nacionais, como o Transmídia do Itaú Cultural e o Sergio Motta, a dupla de artistas fará nos EUA a estréia da instalação Op_Era Sonic Dimension. O projeto é substanciado na forma de uma sala negra de quatro por três metros com 90 linhas brancas em cada parede. Ao entrar na sala, o visitante é esquadrinhado por sensíveis microfones de 360° e por 72 sensores eletrônicos ligados a um Controlador Lógico Programável Atos e, por meio deste, a computadoes. O CLP Atos, que normalmente é encontrado em linhas de montagem controlando máquinas, passa a responder pela compreensão de tudo que ocorre na sala.

Quaisquer sons ou movimentos feitos pelo visitante serão compreendidos pela "inteligência" da sala. Em tempo real, ela responde fazendo oscilar as linhas correspondentes à frequência de voz ou de ruído, ou ainda à posição, do visitante. "Na prática, a sala responderá com música à presença humana em seu interior", explica Rejane, Doutora em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP que há 15 anos se dedica à fusão arte-tecnologia. "Cada linha funciona como a corda de um instrumento, afinada em determinada frequência. Se o visitante aproximar a mão de um grupo de linhas, a sala percebe a pressão do ar e faz com que as cordas oscilem. Mais ainda, a sala percebe os sons harmônicos e faz com que outras cordas correspondentes também vibrem. O resultado pode ser sinfônico. Mas, ao contrário do usual, em que a música leva à dança, no Op_Era Sonic Dimension éa dança que gera a música."
Implementação anterior do projeto: corpo humano afeta o meio
(Foto: João Caldas)
"A gente decididamente não faz arte status-quo", pontua Daniela, Doutora em Artes pela Escola de Comunicações e Artes da USP e pesquisadora de robôs behaviouristas, isto é, adaptativos. "Estamos atrás de algo que ainda não foi feito. Em ambientes instáveis, através de interfaces sonoras e visuais, somamos físico e virtual para entender junto ao público como o corpo humano afeta, por sua própria presença, os sistemas em que está embebido."

O Op_Era Sonic Dimension é a mais atual implementação de um projeto cuja primeira aparição pública foi realizada em 2001. Nele, o visitante (ou interator) era levado a um cubo que, segundo sua orientação e posição, simulava modelos espaciais e criava elementos sonoros. Em edições posteriores, o Op_Era mostrou a interrelação de sons e presença humana em ambientes diversos e ainda deu aos interatores a possibilidade de emergir em iper-cubos onde era possível "vivenciar" quatro dimensões, tempo inclusive.

Entenda como funciona o Sonic Dimension
Op_Era Sonic Dimension é uma instalação imersiva e interativa desenhada como um instrumento musical.

O instrumento tem a forma de um cubo preto e aberto (três paredes de 4x3m cada), preenchido por centenas de linhas parecidas com cordas de um violino. Afinadas, essas cordas virtuais vibram com uma freqüência (de luz e de som) que varia de acordo com sua posição relativa e modo de interação.

Há dois modos de interação. No primeiro, a interface de entrada é um conjunto de microfones que coletam sons produzidos pelos interatores.

Quando um microfone captura um som, o software analisa, filtra e converte a informação em um output visual correspondente. Isto é, se o interator produz um Fá, ele verá as freqüências Fá vibrando como cordas de acordo com os postuados pitagóricos.

No segundo modo, a interface de entrada é uma malha de sensores. Utilizada para detectar a posição do interator, a interface permite ao sistema interpretar qualquer ação como uma força gravitacional. Quando o interator aponta para uma corda, além de fazê-la vibrar, esta ação modifica a forma do espaço-tempo. O objetivo do projeto é pesquisar a geometria de espaços sônicos e desenvolver interfaces sônicas.
Fonte: Assessoria Foto: João Caldas Data: Abril 2005