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Dia Internacional da Terceira Idade - 1º de Outubro





A longevidade é uma conquista
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A orientação nutricional adequada às necessidades do idoso permitirá que ele desfrute com prazer e dignidade os anos a mais que virão pela frente...”,
defende a endocrinologista Ellen Simone Paiva.

A pirâmide demográfica do Brasil e do mundo está começando a dar sinais de que se inverterá. Com a crescente queda na taxa de fecundidade e o aumento da esperança de vida em cerca de 30 anos no século passado, a previsão é de que, em 2050, a população mundial seja de 9 bilhões – 50% a mais do que hoje – e o número de idosos com 60 anos ou mais chegue a 2 bilhões – 350% a mais. Nos países desenvolvidos, esse aumento será de 50%, isto é, passará de 200 milhões para 300 milhões e nos demais países, como o Brasil, essa população idosa irá de 400 milhões para 1,7 bilhão.

Os números representam um grande desafio para os próximos anos, especialmente para o Brasil. Serão necessárias políticas sociais adequadas aos idosos, com soluções que não os excluam dos sistemas de saúde e previdência social. Em breve, com os avanços da medicina, da tecnologia, da genética e de outras ciências, o corpo humano será capaz de superar muitas doenças que causam incapacidades e continuará ativo por mais de um século de vida. “A orientação nutricional adequada às necessidades do idoso permitirá que ele desfrute com prazer e dignidade os anos a mais que virão pela frente, pois a incapacidade, nesta etapa da vida, está relacionada a graus variáveis de desnutrição que agravam a sua condição clínica e a sua capacidade de enfrentar as várias doenças crônicas comuns na velhice”, defende a endocrinologista Ellen Simone Paiva, diretora do Centro Integrado de Terapia Nutricional, Citen.

Dentre as doenças mais comuns que acometem os idosos - relacionadas pelo Ministério da Saúde - o fator nutricional está sempre presente como um fator de risco:
Doenças cardiovasculares: infarto, angina, insuficiência cardíaca
Fatores de risco: pouca atividade física (sedentarismo), fumo, diabetes, alta taxa de gordura no sangue (colesterol) e obesidade (gordura).
Derrames (Acidente Vascular Cerebral - AVC)
Fatores de risco: pressão alta (hipertensão arterial), fumo, sedentarismo, obesidade e colesterol elevado.
Câncer
Fatores de risco: fumo, exposição ao sol, alimentação inadequada, obesidade, casos na família, alcoolismo.
Diabetes
Fatores de Risco: obesidade, sedentarismo, casos na família.
Osteoporose
Fatores de Risco: fumo, sedentarismo, dieta pobre em cálcio, nas mulheres o risco é 7 vezes maior.
Osteartrose
Fatores de Risco: obesidade, traumatismo, casos na família.

Desafio de orientar o idoso
Segundo a médica, uma das maiores dificuldades encontradas na orientação nutricional voltada para a terceira idade é causada pela perda progressiva da sensibilidade gustativa e olfatória dessa faixa etária. “Esse déficit sensorial faz com que estes pacientes tenham uma franca preferência por alimentos mais palatáveis, mais doces ou mais salgados, muitas vezes, mais gordurosos, o que confere a esses alimentos um valor calórico muito maior, além das implicações para a saúde”, explica Ellen Paiva.

Ao ingerirem muito sal, os idosos podem apresentar agravamento de patologias comuns nessa faixa etária como a hipertensão arterial. No caso do excesso de consumo de açúcar, o risco fica por conta da maior propensão à obesidade e ao diabetes , uma vez que há perda progressiva da sensibilidade à insulina com certa intolerância aos carboidratos. “A questão real é que a orientação nutricional das pessoas idosas é muito mais difícil de ser realizada do que para os adultos de outras faixas etárias”, explica a diretora do Citen.

O idoso requer mais cuidado na individualização da sua dieta, pois tem hábitos muito mais arraigados e, geralmente, não tem muito estímulo para realizar mudanças em seu cardápio. “Muitas vezes, o idoso até concorda em mudar alguns detalhes de sua alimentação, mas acaba fazendo sua dieta da forma habitual, envolto em seus hábitos adquiridos ao longo da vida”, informa a nutricionista do Citen , Amanda Epifanio.

Dentre os novos desafios sociais que se apresentam na sociedade de hoje, que valoriza o envelhecimento ativo e livre de incapacidades, estão a manutenção da saúde e da qualidade de vida no envelhecimento, bem como a atenção com a qualidade da dieta e com o adequado estado nutricional da população idosa. “Estamos percebendo que há uma nova geração de pessoas buscando alcançar a terceira idade com saúde e autonomia para poder vivenciar essa etapa da vida com bom humor. Aos poucos, vamos recebendo pacientes mais preocupados com a saúde nesta etapa da vida, dispostos a aderir a planos nutricionais saudáveis. Estes pacientes estão mais vaidosos, dispostos a mudar hábitos em troca de longevidade e qualidade de vida”, diz Ellen Paiva.

O que deve ser alterado?
A complexidade do paciente idoso, geralmente portador de doenças crônicas e usuário de vários medicamentos faz dele um paciente que necessita de uma abordagem nutricional individualizada. Aqui, se faz necessário a formação de equipe multidisciplinar de nutrição, composta basicamente por médicos geriatras , nutrólogos , endocrinologistas, nutricionistas e psicólogos. A seguir, a equipe de Nutrição do Citen relaciona algumas medidas nutricionais que devem ser observadas na terceira idade:

1) “Comer pouco parece benéfico, mas comer muito, já não temos dúvida, é maléfico”, defende Ellen Paiva. O sobrepeso e a obesidade são problemas sérios e estão associados às alterações na insulina, nas gorduras do sangue, no aparecimento da artereosclerose e do câncer. “As evidências de que a obesidade está relacionada com a aceleração do envelhecimento e a redução da expectativa de vida das pessoas já são certezas científicas”, diz a médica;

2) A primeira implicação nutricional na terceira idade está relacionada às necessidades calóricas. “Elas realmente são menores, em média 100 calorias a menos por década de vida. Essa diminuição gradativa nas necessidades calóricas é um processo lento, que casa-se muito bem com a gradual redução na ingesta alimentar do idoso”, explica a nutricionista Amanda Epifanio. Portanto, para evitarmos a obesidade ou a desnutrição na terceira idade, o balanceamento da dieta requer um pouco mais de cuidado, a cada ano que passa;

3) Uma das mais significativas alterações na composição corporal do indivíduo, durante o processo do envelhecimento, é a perda progressiva da massa magra. A massa magra é todo o peso corporal subtraído o peso da gordura, ou seja, equivale aos nossos ossos, água corporal, vísceras e músculos. “A composição corporal pode ser avaliada por meio da bioimpedância ”, recomenda Ellen Paiva;

4) Os idosos sofrem também uma perda progressiva de massa muscular e, portanto, de massa magra. Esta perda de massa muscular é causada por vários fatores, dentre eles podemos destacar a inatividade física e a progressiva redução da ingesta alimentar. “Nesses casos, somente idosos em programas de recuperação muscular, que praticam atividades físicas conseguem um aumento eficiente da ingesta alimentar , com perda menor da massa magra”, diz Amanda Epifanio;

5) As necessidades de hidratação dos idosos são semelhantes às dos adultos jovens, ou seja, 30ml/kg/dia. A hidratação é muito importante para pacientes cronicamente enfermos, com dificuldade de acesso à água, principalmente àqueles com perdas extras de líquido pelo uso de diuréticos e laxantes;

6) Com relação aos macronutrientes , não há grandes diferenças em relação às dietas balanceadas para os adultos jovens. “Os idosos também precisam diariamente de cerca de 55 -60% de carboidratos (arroz, pães, batata, macarrão); até 30% de gorduras totais, com menos de 10% de gorduras saturadas e o restante em proteínas”, informa a endocrinologista Ellen Paiva;

7) “O idoso, geralmente, tem maior necessidade de micronutrientes e de algumas vitaminas, como é o caso do cálcio e da vitamina D, que afetam a densidade mineral óssea e o risco de sofrer com osteoporose e fraturas. Outra vitamina que deve ser avaliada é a B12, pois não é raro encontrarmos pacientes idosos com baixas concentrações desta vitamina no organismo, causadas pela ingestão insuficiente dela ou pela má absorção da mesma pelo organismo”, afirma Amanda Epifanio. A dosagem de vitamina B12 deve fazer parte do tratamento de idosos com alterações cognitivas (dificuldade de memorização, organização de idéias e aquisição de conhecimentos) e do diagnóstico diferencial das demências, pois a carência desta vitamina leva a um quadro de alterações comportamentais sugestivas da doença de Alzheimer.

CITEN - Centro Integrado de Terapia Nutricional
Rua Vergueiro, 2564 - Conjuntos 63 e 64 - Vila Mariana - São Paulo-SP - 04102-000
Atendimento: De segunda a sexta. das 08h30min às 18h30min horas.
Telefone: (11) 5579 1561/5904 3273

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Fonte: Assessoria Fotos: Divulgação Data: Setembro 2007